Diário de Bordo por la Academia de Música Fernandes Fão

Cartel de Diário de Bordo. Extraído de
Cámara Municipal Ponte de Lima

Diário de Bordo fue la propuesta escénica de la Academia de Música Fernandes Fão representada en el Teatro Digo Bernardes de Ponte de Lima para terminar el año.

 
En la primera fila del escenario colocaron una hilera de sillas, en la segunda, también y en la tercera y en la cuarta; y así el escenario se convirtió en lugar compartido por actores y público. El espacio se decoró con libros colgados, el piano fue iluminando algunos momentos de la representación y las luces dramatizaban sobre los protagonistas.
Esos, los protagonistas, veinte jóvenes de la Escuela de Música Fernandes Fão dirigidos por Pedro Lamares, y a quienes acompañó al piano José Paulo Ribeira.
 
El espectáculo consistió en un recorrido poético, letra a letra revelado*, desde el nacimiento (primera muerte, primer rechazo que sufrimos según el poeta Jorge Sousa Braga) pasando por la vida y la muerte. Dibujando el amor, el desamor, la vileza y la belleza, la debilidad, la ruindad y el poder, y de nuevo el amor. Amor por la madre, sea esta la patria, el pueblo, la lengua, la propia vida o la madre carnal. 
Amor también por Portugal, confesión incluida: Portugal, vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém. Sabes, estou loucamente apaixonado por ti**.
Pero la despedida se aproxima y el público se queda en el escenario recibiendo la última lección de los actores desde el patio de butacas, el final.
 
Al final, al final es mejor vivirlo, sentirlo, oírlo, subirse al escenario o abrir los libros de los poetas que fueron apareciendo en las voces en canon y en las voces en coro de este grupo de jóvenes artistas. Presente y futuro de Portugal.
 
Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner, José Regio, Jorge Sousa Braga, MAnuel António Pina, Alexandre O´Neill, António Ramos Rosa, António Lobo Antunes, José Gomes Ferreira, Filipa Leal, Vasco Gato, Maria do Rosário Pedreira, Adília Lopes, Mário Henrique Leiria, Oswaldo Montenegro, Mário Sá Carneiro, Almada Negreiros, Mário Cesariny, Miguel Torga, José Mário Branco, Fernando Lopes Graça, Fernado Lapa.
 
* Há palavras que nos beijam. Alexandre O´Neill
** O poeta nú. Jorge de Sousa Braga
 
Para ver una buena secuencia de fotos del espectáculo Diário de Bordo por J. Ferreira
Anuncios

6 comentarios en “Diário de Bordo por la Academia de Música Fernandes Fão

  1. Lele, bela apresentação de um espectáculo maravilhoso. Um cenário com a assistência integrada nas cenas.
    Um tema delicado, onde o Pedro Lamares confirma a sua virtude de ser jovem, com ideias inovadoras. Fez da simplicidade a diferença, tornando o que parecia ser complicado num espectáculo acessível a qualquer público.
    Parabéns pelo teu artigo e grato pela divulgação.
    Abraço.
    JF

  2. Lele

    A efemeridade é, para mim, uma mistura explosiva entre o fascínio e o medo da perda.

    Talvez seja um pouco isso que me encanta na linguagem do espectáculo. O “aqui e agora”. A sensação de que é único em cada momento e, por isso, sagrado. Sem outro registo mais fiável do que o da memória, porque porque a tecnologia não vê o que o público vê.

    Entre tantas coisas que vamos conquistando no processo de trabalho e chamamos de liberdade há uma, particularmente, que me apetece proibir: A banalização. Em cena, é o maior dos pecados.

    Quando se constrói uma coisa com amor, constrói-se para quem faz e para quem vê. Constrói-se na convicção de que isso possa transformar alguém de alguma forma. Dos que propõe e dos que assistem.

    Quando se trabalha com um grupo de vinte adolescentes como os que viste em cena, com uma equipa de profissionais que falam a mesma língua (onde a “culpa” virou uma piada de ser sempre do mesmo para que não se perca tempo a esmiuça-la e se possa andar para a frente e fazer o que se ama) a proposta de estarmos a “transformar” os que participam no processo vira uma certeza quase palpável.

    Aos que lá vão ver, quisemos que, em vez de “assistirem ao espectáculo”, se juntassem a nós, no lugar sagrado do palco (sem que isso fosse óbvio até ao momento final de abrir a cortina de ferro – porque “Afinal o que importa não é a literatura, nem a crítica de arte, nem a câmara escura”*) para que se sintam convidados a fazer parte, connosco, dessa descoberta.

    O que sobra, passada a “depressão pós-parto”, é uma vontade de ser uma pequena mosca, pousada discretamente na cabeça dos que espreitaram esse processo vestido de “espectáculo”. Conhecer os ecos que ele deixou.

    Foi muito bom para mim encontrar o post que escreveste sobre o nosso “Diário de Bordo”. Muito curiosa e atenta, a tua leitura.

    Obrigado por, além de deixares ecoar, te teres deixado ouvir, dando-te ao trabalho de escrever sobre ele. Assim, é um bocadinho menos efémero.

    Pedro Lamares

    (P.S. – O pianista é o José Paulo Ribeira, professor da AMFF e meu companheiro nestas aventuras do projecto Em Cena na AMFF, que também fez os arranjos de três temas)

    * In Pastelaria de Mário Cesariny

  3. Estimado, Pedro.

    Primeírissimo de tudo, peço desculpas pelo engano na adjudicação do piano, já fiz a correção e atribuição correspondente. Alargue as minhas desculpas para o José Paulo Ribeira, a quem, aliás, já tinha ouvido ao piano num outro espetáculo.

    Agora tenho que lhe agradecer duplamente. Primeiro, pelo evento criado, que achei de uma grande imaginação, elegância e, pessoalmente, construtivo. Segundo, por teres passado cá e deixado um esclarecimento sobre o evento e o processo criação-mostra. É sem dúvida um comentário/artigo enriquecedor para complementar o que, humildemente e em minha opinião, se viveu no Diário de Bordo.
    Ao fim e ao cabo, o que eu possa deixar aqui é só uma parte mínima de tudo o que aconteceu, é o olhar duma “pequena mosca”.

    Fico atenta para próximos eventos “aqui e agora”, portanto, até breve.
    Um abraço.
    Lele

  4. Amiga Lele!

    Desculpa se ainda não tinha lido este maravilhoso texto.
    Conseguiste aqui descrever, de forma sublime, dar a cor e vida a um espectáculo fabuloso que ambas vimos em dias diferentes mas de igual modo.

    Gostei também imenso de ler o comentário do encenador Pedro Lamares.

    Sei quanto amas Portugal.
    Sei agora que tens mais razões para tal.

    Beijo

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s