Luandino Vieira e Ondjaki, o mais velho e o seu menor na Porta XIII

Luandino e Ondjaki no começo da Conversa.
Na televisão, imagem do documentárido
dirigido por Ondjaki e por Kiluanje Liberdade,
“Histórias de Luanda. Oxalá cresçam pitangas”.
Lele Sorribas. 2012

Foi na Porta XIII, em Vila Nova de Cerveira, que se deu a conversa. Interessante conversa que juntou a Luandino Vieira com Ondjaki.

Quem já ouviu uma vez Ondjaki repete. Quem já ouviu alguma vez Luandino deve repetir. Ambos são escritores angolanos, duas gerações bem diferentes unidas pela conversa na Porta XIII e pela palavra escrita.

Luandino Vieira na fala na Porta XIII. Lele Sorribas. 2012
Luandino, o mais velho (em relação a geração literária da que provém.Luandino nasceu em 1935 e viveu a época colonial, a independência e a guerra civil de Angola), é o encarregado de começar a falar e arranca forte. Apresenta o seu menor, Ondjaki, como um escritor que sofre daquela doença de nascer e ser poeta, uma doença da que não se pode livrar. Luandino acrescenta, “Ondjaki nasceu num ano difícil, 1977, ano no que houve uma tentativa de golpe de Estado e uma massacre. De aquele acontecimento a gente transporta cicatrizes que ainda não despareceram”. Continua Luandino, entre a apresentação e a deliberação, “a literatura vive de literatura, todos nós somos o prolongamento das leituras que fizemos e até das que não fizemos. Uma das características de Ndalu (nome natural de Ondjaki) é a permanente atenção aos outros”.
Ondjaki assinando livros no fim da conversa.
Lele Sorribas. 2012
É a vez de Ondjaki, quem começa se confessando “eu escrevo para mim, para minha cidade, para o meu país, poucas vezes escrevo diretamente para os meus pais, mas fiz uma vez para a minha mãe. Foi ela. Não sou grande poeta e não faço poesia para ser grande poeta, faço por estas coisas, para partilhar momentos e afectos. Na prosa considero-me um bocadinho melhor”.
Luandino e Ondjaki seguem com uma partilha de histórias e anedotas. Ondjaki diz-se marcado pela escola, “no caderno da primeira classe tinha na capa a frase `A caneta é a arma do pioneiro´, e alguns acreditamos nisto”.
Depois o palavreado tomou vida própria, falou-se em escrita angolana, quais as características da literatura angolana? É possível descrever a literatura angolana? Cômo pode-se chamar de Acordo ortográfico uma proposta que só foi assinada por três de entre um grupo de sete? É possível chegar a uma grafia única? Serve para o quê a língua?

Se calhar, todas estas perguntas ficaram sem resposta, ficaram no ar, mas não há dúvida que Luandino e Ondjaki são dois escritores da literatura angolana, que um acordo não é acordo enquanto não existir acordo de todas as partes, que a língua serve para nos comunicarmos e que na Porta XIII houve é muita palavra à solta.
A Porta XII é uma associação, espaço de todas as artes, sita em Vila Nova de Cerveira. A associação é encarregada do espaço museológico do Convento Sanpayo e da obra do escultor José Rodrigues, é uma associação poética de todas as artes e, além disso, é também uma pequena editora para a poesia angolana e livraria de poesia e literatura infantil, chamada Nossomos. O espaço onde se encontra em Vila Nova de Cerveira, na rua Queirós Ribeiro, número 11/15, é um local aconchegante pelo espaço propriamente dito e pelo refúgio que supõe para as letras.
Quem já ouviu Ondjaki, quem já ouviu Luandino e quem já foi à Porta XIII só pode querer mais.
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